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Quando o Mocinho Morre

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Frustar-se faz parte da vida. E nós já estamos mais (bem mais) do que acostumados com isso. Mas, se na vida real é impossível não se frustar, ao menos na ficção deveríamos ter o direito (quase que estabelecido por lei) de vivermos nossos sonhos, de rirmos, de evitarmos qualquer tipo de desilusão, de sermos única e exclusivamente felizes e ‘leves’. A ficção deveria ser nossa suposta vida virtual, onde tudo faz sentido, onde as coisas acontecem sempre do jeito bom, onde os bonitões se apaixonam pelas gordinhas, onde todo mundo pode ter sua própria personalidade sem detrimento da opinião alheia, e onde as pessoas más são punidas, sempre.

Infelizmente já não é bem assim. Essa mania que as pessoas tem de querer mostrar a realidade. Querer mostrar que coisas ruins acontecem. Não, pára tudo. Filme, cinema, pipoca e refrigerante combinam com alegria, com satisfação, com amor, com céu azul! Adoro ir ao cinema e sair de lá encantada! Adoro sentar no sofá, puxar aquele botãozinho mágico que faz o acento virar uma poltrona de Business Class, e ficar ali sonhando com aqueles personagens, vivendo uma vida que não é minha, torcer, vibrar, chorar, mas no final dizer “ownnnnn, que lindo”. É praticamente meu momento de Nirvana, minha seita secreta (agora não é mais secreta, porque contei pra todo mundo, mas ainda adoro). Faz a gente se distanciar, nem que seja por minutos ou poucas horas, daquilo que nos frustra. E muitas vezes nos dá uma vontade tão grande de ser feliz também, de ver tudo dar certo, que você se renova, sai outra pessoa, com vontade de correr atrás, lutar, gritar e conseguir o seu final feliz. Fala sério, tem coisa melhor?

Mas, de repente, matam o ‘seu mocinho’. E você fica olhando pra tela da TV e pensando … oi? Caramba o que aconteceu? Como assim? Dá vontade de gritar bem alto NÃÃÃÃOOOOOOOO, ‘meu mocinho’ não, pelo amor de Deus. Cara, como pode esse autor matar o ‘meu mocinho’? Ele tinha que ser feliz. Tudo bem que ele caiu do cavalo, quebrou as duas pernas, perdeu a empresa da família, tomou um tiro, a esposa o trocou por outro (ou outra nos tempos atuais), ele ficou doente, sofreu, a mãe morreu. Tudo bem. Faz qualquer coisa com o ‘meu mocinho’, mas não o mate! E por mais que você lute, se debata e sofra, já não adianta mais, porque o ‘seu mocinho’ morreu. Provavelmente porque depois de muitas temporadas ou de várias refilmagens e continuações, o ‘seu mocinho’ já estava cansado – ou ganhando pouco –  e tinham que dar um jeito.

E você se frustra. De novo. E, pior. Dessa vez você se frustra com a sua ficção preferida. Já não bastava ter que esperar meses pelas próximas temporadas, agora você sabe que NUNCA MAIS vai ter o ‘seu mocinho’ ali, nas noites de quinta-feira (or whenever), pra alegrar sua semana. Vamos combinar uma coisa básica: mocinho e mocinha não podem morrer! Eles sempre vencem! Tem que ser como nos filmes da Disney. Madrasta se dá mal, o Rei do Mal se dá mal, as filhas malvadas da madrasta se dão mal, o caçador desumano se dá mal. Mas o mocinho nunca. É assim que a gente precisa. É assim que a vida nos permite sonhar, imaginar, acreditar.

É assim, vivendo um pouco fora de nossas vidas, que esquecemos os problemas, as dificuldades, a violência, a insegurança. Mas quando vem alguém e mata ‘seu mocinho’ você se toca que tudo pode acontecer. E pode! Frustrar-se faz parte da vida e sim, muitas vezes da ficção. Mas frustrar-se é também, lá no fundo, um processo de recomeço, de entendimento do que precisa mudar, melhorar, transformar-se. Muitas vezes a tarefa é difícil, árdua e complicada, mas normalmente o sucesso vem depois de um aprendizado; e muitas vezes esse aprendizado vem depois de uma frustração, de um fracasso. É o que conta, no final. Não o tombo que você levou, mas como você se refez, como levantou e como continuou sua caminhada. Como conquistou seu final feliz, ainda que não perfeito. E como vai caminhar agora que o mocinho morreu, mas que a vida continua! Afinal de contas, ele não era o ‘seu mocinho’. Você é o ‘seu mocinho’. Got it?

Good Luck!

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This entry was posted on April 25, 2015 by .