Dizem que quem vive de passado é museu e eu sinceramente odeio museu. Então não vamos ser radicais e apelar pros itens históricos, mas vamos falar um pouquinho sobre o que passou. Claro, amo estar aqui no século XXI e acredito realmente que fiz uma caminhada boa e abençoada. Fiz amigos pra uma vida, trabalhei com o que eu amava, tive duas filhas lindas, casei-me com o ‘the best’ dos meus namorados, e não fiquei rica … mas tenho vivido alguns de meus sonhos e essa é a maior riqueza de todas.
No entanto, contudo, todavia, recordar faz parte da vida, assim como respirar! Faz um bem danado e acredite, faz você sorrir, gargalhar e te deixa leve. Desde a última sexta-feira tenho recordado muitas coisas do meu passado — não tão distante assim, do meu ponto de vista (mas não pergunte isso para as minhas filhas, porque elas te darão uma visão de ‘passado infinito’ impressionante)! A convite de uma amiga, dessas que a vida te dá de presente, fui assistir ‘El Reencuentro de Los Menudos’. Fui! Fui mesmo! Sem vergonha nenhuma de dizer e ainda acrescento, foi bom demais! Depois de muito tempo revivi o significado mais puro da palavra ‘saudosismo’. Ali no palco estavam 3 dos meus maiores ídolos da adolescência — e ao meu lado minha filha de 14 anos; a mesma idade que eu tinha quando gritava desesperadamente por eles. Ela sem entender nada e já achando que a mãe era um caso perdido. Eu chorando, rindo e gritando de novo. Como se a vida não tivesse passado lentamente e me acrescentado 30 anos! O bom de reviver é que faz você renascer; reviver, dentro daquele coração já meio cansado, os ideais, as buscas, os desejos de uma época em que você não se importava com a taxa do dólar, com o aumento de impostos, com o governo corrupto; nem com as roupas por lavar, a cama por arrumar, a casa por limpar e todas as mini-master-tarefas que te consomem hoje 25 horas do seu dia. Você reclamava porque sua mãe não queria te comprar todas as Melissas de 5 cores diferentes que suas amigas tinham, nem o patins de bota branca que só vendia no Mappin ou as meias brilhantes que combinavam com tudo e aquele tênis branco (inteirinho branco) da Le Coq Sportif (o tênis do galo)! Você chorava porque seu ídolo não tinha visto você no meio daquela multidão imensa de 3.456 pessoas no estádio do Morumbi. Você esperneava quando seu pai dizia ‘não você não pode sair com um cara 10 anos mais velho que você’. Era tudo muito injusto, e nem de longe você entendia que era para o seu bem. Para formar a pessoa que você é hoje. Mas hoje, olhando pra trás, você não só entende como aprecia a vista!
Lembro-me da vitrola que tocava Blitz, Paralamas do Sucesso, Madonna e, claro, Menudo. ‘Esse disco vai furar’ dizia minha mãe. E eu preocupada pensava ‘será que fura mesmo’? Lembro-me do Genius com aquela musiquinha repetitiva infernal e que eu odiava! Lembro-me dos Cigarrinhos de Chocolate que eu e minhas amigas ficávamos segurando como que ‘fumando’ e se achando (que horror!!!). Lembro-me das fita cassete que vira-e-mexe desenrolava toda (sozinha ou com a ajuda do meu irmão) e eu ficava horas enrolando de volta com lápis. Lembro-me do pac man, do cubo mágico, do ábaco, da propaganda da Granero e da Caloi — não esqueça a minha Caloi :), da época da Bola de Voley Pénalti (um must). Meu pai tinha um Corcel II e eu me achava a última jujubinha vermelha do pacote chegando na escola com ele. Naquela época também era mico dar beijo no pai na porta da escola, e também me lembro de falar pro meu pai ‘sem beijos, FALOU?’. Falou era o ‘pegou’ de hoje. Tinha também o ‘está por fora’ hoje conhecido como ‘ficou no vácuo’. E quem nunca ficou ‘nos amassos’ com aquele garotinho lindo que toda a meninada dizia ser um ‘pão’.
Resolvi reviver tudo. Ouvi ‘amor pede uma porção de batata frita; okay você venceu, batata frita’. Dancei ‘mina, seus cabelo é da hora, seu corpão violão’. Cantei ‘se as meninas do Leblon não olham mais pra mim, eu uso óculos”. Lembrei do Chicletes Mini e do Ploc (adoraaavaaa o Ploc! porque foi mesmo que ele sumiu?), do Dip’n Link. Das canetinhas silvapen (eram lindas e aquela caixinhaaa!). Me deu vontade de assistir ‘Armação Ilimitada”, ‘ET’, ‘Os Goonies’, McGyver, ‘Footloose’, ‘Dirty Dancing’, Sheera e He-Man com o famoso ‘eu tenho a força’!!!. E as tampinhas da Coca-Cola que vinham com imagens dos personagens da Disney por dentro da tampinha! Tinha o tênis Bamba, o Ferrorama, o Vai-Vem, o chocolate Lollo (sou Lollo, sou Lollo), o Atari, as Fofoletes, o relógio Champion (funcionar não funcionava muito, mas isso não importava; o que importava é que você trocava a pulseira e combinava com a roupa!), o Neutrox, o batom de moranguinho, a TV Manchete, aquele sorvete vermelho em formato de mão com um dedo de chocolate apontando pra cima, aquela lapiseirinha que você ia trocando pedacinho por pedacinho quando a ponta ficava ruim, o batom sabor maçã verde que você passava e durava 24 horas (não saía mais da boca, era um inferno!), as balas Soft — engasguei com uma e quase morri 😦 , as Paquitas (ah como eu queria ser uma delas) …
Coisas que ficaram guardadas na memória, no coração e na alma. Lembranças que o tempo não apaga e que algumas vezes nos fazem voltar e ser de novo aquele adolescente chato, aquele jovenzinho emburrado e dono de sí. Mas acima de tudo aquela pessoinha que nos fez chegar aqui hoje. E com ou sem me casar com o Ray (sem, e aliás graças a Deus porque ele está gordo e não me parece mais um pop star) eu sobrevivi e estou aqui hoje. Inteira pra lembrar de tudo e apenas desejar que os próximos 30 sejam tão bons quanto os anteriores e que me tragam tantas boas lembranças. Afinal, recordar é viver.