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Perdas e Ganhos

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Odeio perder as coisas. Perder em todos os sentidos. Perder meu celular, perder a hora de acordar, perder uma oportunidade, perder o começo do filme, perder o final da série, perder um amigo, perder o horário de uma reunião. A perca em si, seja ela qual for, está relacionada com aquela sensação amarga de insucesso, de falta de esforço e de tristeza. E só por isso já parece negativa em todos os sentidos. Quando você perde, a única coisa que fica na hora é aquela vontade de dar ‘rewind’ e tentar de novo; é aquele absurdo desejo de fazer de outro jeito, de ter levantado antes, de não ter sido tão leviano, de ter se importado mais, de ter tomado mais cuidado. Não há uma perca positiva e por mais que a gente tente dar voltas para tentar explicar porque perder foi melhor, sempre nos deparamos com o mesmo ponto: perder significa fracassar. E se você gosta de fracassar, desculpe, mas pra mim é o fim da picada, é o ó! Sempre me ensinaram que o importante é competir, não ganhar. Mas se isso realmente funcionasse assim, daríamos medalhas a todos. Não haveriam o primeiro, segundo e terceiro lugar, e muito menos os lindos e brilhantes troféus que os ganhadores colecionam em suas perfeitas prateleiras!

Não! Definitivamente perder não é legal. Mas, como tantas outras coisas, faz parte da vida. E, claro, nos ensina muitas coisas. Nos mostra o propósito de lutar tanto e tão arduamente por um objetivo, nos direciona para cima, para melhor, para maior. E da mesma forma que nos faz enlouquecer de tristeza, nos fortalece e nos mostra que pra ganhar, as vezes, é preciso primeiro aprender com a perda. A perca nos traz maturidade, ensinamento, direcionamento, força. Ela nos faz chorar, mas se você pensar bem, choramos muito mais de raiva do que de tristeza. Choramos porque não nos conformamos com aquilo que está sendo tirado de nós. Choramos porque a lágrima é o caminho mais rápido entre o coração e a razão. Choramos porque chorando nos livramos da vontade de gritar, de matar. Nos livramos do ódio, do veneno, da cobiça. O choro nos traz paz, nos traz pesar, nos faz repensar, nos ajudar a ver mais longe, limpa nossos olhos e ilumina nosso pensamento. E depois de todo bom choro, vem o reposicionamento, o redirecionamento. Não sei os seus, mas meus choros sempre acabaram assim … ‘nunca mais …’. Seja nunca mais vou esquecer, nunca mais vou deixar pra lá, nunca mais vou abandonar, nunca mais vou empurrar se posso resolver, nunca mais! E esse nunca mais (que na verdade é um mero ‘daqui a pouco estou aqui de novo’), me traz o sentido de continuar, de partir para uma nova batalha, de rever o que é importante, de procurar mais fundo, de me dedicar mais, de duvidar quando devo e de acreditar quando preciso. Sem cair, sem fracassar, sem perder, tudo seria muito fácil e em pouco tempo estaríamos estupefatos pela falta de ação, de reação, de busca, de encontro. Seríamos seres realizados em todos os sentidos, mas seres que nunca aprenderam e que provavelmente nunca aprenderiam o que significa ganhar de verdade. Porque se não há ódio sem amor, se não há amanhecer sem anoitecer, se não há branco sem preto, se não há luz sem escuridão, se não há verdade sem mentira, tampouco haveria ganhos sem perdas.

Uma vez li uma frase que dizia mais ou menos assim – tudo o que é seu encontra o caminho de volta; se não voltar é porque nunca foi, de fato, seu. E é verdade, muito! Você perde o que não lhe pertence, o que não faz sentido na sua vida. Nada vai embora sem um porque. Perder uma reunião pode significar que o resultado dela não te agregaria nada. Perder um amigo, talvez seja indício de que não tão amigo assim ele era. Perder a hora de levantar, de repente, é o destino te dizendo que você estava fora de compasso com o que precisava acontecer pra você naquele dia. Perder a paciência, te faz avaliar o que realmente importa na sua vida. Perder o celular … bom perder o celular é realmente a pior parte, mas também sempre tem um lançamento novo, melhor, menor, mais leve, dourado, chiquérrimo!

Aos poucos você aprende perder, aprende levantar a cabeça de novo, aprender caminhar sem a sua muleta ou sem o seu amuleto. Aprende chorar pra poder dar valor ao sorriso, aprende caminhar para dr valor à corrida. E com o tempo, chorar e caminhar se tornam tão importantes pra você, quanto sorrir e correr. E então você percebe que perder faz parte, mas que nem de longe é o fim do mundo. Muito pelo contrário, é o começo de um mundo novo, de uma nova estrada. Um caminho ainda a ser tracejado. E da mesma forma que eu odeio perder, eu adoro começar de novo. Rejuvenesce (e cá entre nós estou precisando)! Perder é necessário, recomeçar é essencial. E recomeçando, a gente sabe que pode até perder de novo, mas sabe também como levantar, como sacudir a poeira, dar a volta por cima e seguir vivendo. Nunca perder é apenas negativo. Porque em última análise, se você não aprendeu nada com a perca, pode ter certeza de que você está pelo menos um pouco mais preparado para os milhões de ‘baques’ que a vida ainda há de lhe conceder … e que assim seja! “Nem sempre perdendo, nem sempre ganhando, mas aprendendo a jogar!”.

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This entry was posted on May 22, 2015 by .