Sabe aquela sensação de “será que eu fiz a coisa certa”?
Acho que você conhece não é? Pelo menos se você tem mais do que 5 anos, já deve ter experimentado ‘a mesma’ em algumas situações do seu dia-a-dia — essa roupa ou a outra? conto pra minha mãe ou não? caso ou compro uma bicicleta? arquitetura ou direito? paulo ou pedro? paulo ou ana? … ai ai ai!
Brincadeiras a parte, e supondo que meus leitores tenham mais do que 5 anos, vamos partir daí …
O que ouço desde sempre é “Melhor se arrepender de ter feito algo, do que viver a vida pensando … e se eu tivesse feito”. Muito bem. Também acho. Mas ninguém, em nenhum momento, vem e te fala “lembre-se que depois vai te dar aquela dúvida de ter ou não feito a coisa certa, mas tudo bem”. Não, ninguém te fala isso, porque a grande verdade é que, na maior parte das vezes, as pessoas te dizem pra fazer o que você tem vontade, pra realizar seus sonhos, pra curtir a vida ‘adoidado’, pra mudar, inovar, viver a 1000/h, mas lá no fundo normalmente elas não teriam coragem de fazer o que estão te aconselhando. Chama-se ‘fazer milagre com o santo alheio’ e é mais comum do que você pensa!
De qualquer maneira, é preciso coragem, audácia, desprendimento e muita, muita força de vontade. É parar de respirar por um momento e se atirar no infinito, sem saber se o pára-quedas vai abrir. Normalmente ele abre, de uma forma ou de outra, mas também normalmente, isso acontece quando você já está bem perto do chão. O coração vai parando aos poucos, você sente aquela vontade de chorar e tenta a todo custo voltar pro lugar seguro e confortável onde você estava. O problem é que não dá mais, já foi, já passou, você já pulou e a única coisa que te resta é a esperança do tal ‘amigo pára-quedas’ abrir; ou então do chão ser algo mais “fofo” do que você imagina (não conte muito com essa última alternativa!).
Mas pular por outro lado, tem suas vantagens. A paisagem é linda, os olhos brilham com as coisas que você nunca viu antes, a sensação de frio na barriga te renova, te faz ser mais jovem; sem falar na deliciosa brisa que aos poucos vai te fazendo ter a consciência de que, na verdade, você está ‘voando’. E voar é para poucos. Voar é a melhor e maior explicação para o que chamam de liberdade; e é, na minha opinião, ao mesmo tempo a mais concreta definição de incerteza. E qual liberdade que não vem sem uma certa dose de que nada é certo? Sinceramente nunca fui apresentada, mas ainda assim, e voltando ao nosso tema principal, quando você alça o vôo e se vê ali, planando sobre o que antes era o seu chão, a sua certeza, o seu porto seguro … aí meu amigo é que a coisa aperta. E se voltar pra trás não é uma solução, o que fazer então?
Primeira coisa é encarar seu desafio de frente e com muita, mas muita ‘cara e a coragem’! Você precisa descer do salto ( e algumas vezes jogar o salto fora, ainda que ele seja um ‘Channel’), vestir seu traje de ‘guerra’, arregaçar as mangas e botar todas (ou quase todas) as suas esperanças naquela decisão. Quase nenhuma decisão é errada, e se a sua teve um motivo, um referencial, um estimulante, você está no caminho certo. Toda decisão depende de um ‘plano’, ainda que mínimo porque pular é como engravidar: se pensar duas vezes, já era! Mas com 99% de certeza eu diria que você, de alguma forma, juntamente com quem pulou junto com você, passou por um processo de avaliação de pós e contras, não é verdade? E se passou é porque os pós pesaram mais e – nunca se esqueça – foi isso que fez você decidir pular.
Segunda tarefa: desviar dos obstáculos. E vai ter mesmo! O que tem de urubu preto por aí tentando atrapalhar seu vôo, meu amigo, nem te conto. Eles vem de todos os lados e em todas as velocidades possíveis e imagináveis. Desvie, mas se não der, acabe com eles. Os urubus só estão ali pra te fazer mais forte e pra que você perceba o quanto vale ‘a sua nova paisagem’, porque no fundo o que eles tem é inveja de você, porque eles achavam que você jamais poderia voar ….
Por fim, e já que o chão se aproxima, apenas relaxe. O pára-quedas já abriu e ainda que você não tenha a menor idéia de onde vai cair, pode ter certeza de que onde quer que seja, sempre terá alguém pra te ajudar no ‘pouso’, pra te acolher no novo solo, pra te ensinar novas coisas, pra aprender com você. Nem sempre você cai onde pensou que ia cair, e algumas vezes o pára-quedas enrosca naquela árvore imensa e por alguns minutos você pensa “danou-se”. Mas mesmo em cima da árvore você pode ter certeza de que vai ser resgatado, de uma forma ou de outra, porque ainda que seus pés não estejam tocando o chão, você pousou e agora é se desapegar das ‘asas’ que te ajudaram a chegar ali e começar a criar outras, novas, maiores … pra próxima. Porque se você pulou uma vez, pode ter certeza de que o seu espírito e sua alma vão te pedir pra pular de novo!
Normalmente quem pula, pula atrás de um sonho. E se pousar não é uma escolha, mas uma verdade absoluta, realizar seu sonho depende única e exclusivamente da sua vontade e da sua coragem de pular. E aquela pergunta … “será que você fez a escolha certa?” … não dá pra saber, só dá pra viver. Um dia de cada vez, um sonho de cada vez. Uma certeza eu tenho: vai ter brisa, mas vai ter muito vento forte também; vai ter riso, mas vai ter choro; vai ter gente apoiando e vai ter gente tentando te segurar; vai ter quem pule com você e vai ter aqueles que te dirão “claro que vou” e quando você olhar pra trás vai perceber que pulou sozinho; vai ter a ansiedade do pulo e a alegria da chegada, mas vai ter também o medo de passar dentro das nuvens escuras sem saber como sair delas. Só tenha na sua mente e no seu coração uma certeza: de que o pulo foi escolha sua! Se foi, sim. Aí está sua resposta: você fez a coisa certa. Os urubus e as nuvens não significam que você errou; só significam que nada na vida vem sem esforço, sem luta e sem muita briga!