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Com que bolsa eu vou?

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Sabem aqueles quizzes que você encontra na internet que dizem tudo a seu respeito apenas analisando 4 ou 5 perguntinhas básicas e totalmente sem sentido? Pois é, incrivelmente ridículos eles fazem, no entanto, o maior sucesso. Também sou fã deles e me divirto ‘descobrindo-me’ como uma princesa da Disney, um animal, uma cor, uma estação do ano, uma personalidade famosa, e por aí vai. Mas muito mais eficaz que todos esses quizzes, seria um teste baseado simplesmente em ‘que bolsa você usa’. Tipo ‘diga-me com que bolsa andas, e eu te direi quem és’.

Estava pensando nisso hoje cedo e curiosamente sentei-me num banco da praça (sim, eu moro no interior) e fiquei ali, por alguns minutos, observando o horário de entrada da escola. Crianças, adolescentes, mães, avós, professores. Todos passaram por mim sem perceber que, na verdade, eu estava ali só ‘de olho na bolsa de todo mundo’. Trombadinha eu? Não, apenas uma pesquisadora fajuta nas horas vagas!

Vamos pular a fase em que estamos dentro da ‘bolsa’. Aquela que estoura quando você vai nascer blá blá blá. Essa aí quem escolhe é Deus e com sorte você veio em uma que te segurou e te alimentou direitinho durante 9 meses. Algumas já apresentam defeito de fabricação — como a da minha primeira filha que, coitada, a expulsou com 28 semanas de gestação. Mas não é dessa aí que quero falar.

Aos 2 anos — algumas antes — aquela menininha que nem tem tamanho ainda já ganha sua primeira bolsa. E a carrega pra lá e pra cá sem nem mesmo saber a importância histórica que esse simples objeto terá em sua vida futura. É apenas uma ‘bolsinha’ que serve pra ‘balançar’ e ‘fazer um charminho’. Cumpre seu dever heroicamente, afinal quem não passa por uma garotinha de 2 aninhos com sua bolsinha balançante e não faz ‘ownnnn’.

Depois vem a fase das mochilas. Começa a escola e a primeira mochila diz mais, na verdade, sobre quem é a mãe daquela criatura; porque é a mãe que vai comprar e ela vai comprar a mochila que na opinião dela mais se parece com sua menininha linda! Tem da Moranguinho, da Monica, da Xuxa, da Barbie, das Princesas, da Bratz, da Monster High, da Dora, de animaizinhos, de ursinho, de pelúcia … ai ai ai, uma mais fofa que a outra. Uma delicia! E lá vai sua menina com aquele adereço fantástico pendurado atrás dela, sem ela nem mesmo saber o porque. É bonito e pronto, ela fica feliz, mamãe fica feliz e todo mundo se dá bem.

Aos 6 ou 7 anos ela decide que a mochila tem que mudar. Afinal ela não é mais criança e ‘como assim? eu não vou andar com essa mochila da Barbie-Lago-dos-Cisnes cheia de purpurina pra lá e pra cá. Sem contar que carregar nas costas não dá né. Tem que ser de puxar, mais fácil, mais leve e … todo mundo tem! Então vamos lá, próxima etapa, a mala de rodinha. Pode ser do One Direction, do Justin Bieber, daquele menino lindo que faz aquele programa legal naquele canal que passa na televisão (é mãe, você tem que saber quem é ele, sorry). Comprada, ela vai durar mais ou menos 9 meses. Porque a personalidade da sua princesinha vai virar de ponta cabeça e antes do próximo ano escolar ela já vai estar totalmente preparada para sua nova ‘bolsa escolar’.

Agora ela já tem entre 8 e 9 anos e puxar mala de rodinha, ‘não rola’ (pegou a piadinha ridícula? kkkk)! Além disso, seus ídolos mudaram – e se não mudaram vão mudar assim que ela ver a primeira amiguinha com uma mala, adivinha – LISA!!!! Só de uma cor! Meu Deus, a grande novidade do século! E vamos para a Kipling escolher entre as 375 diferentes cores e padrões. Detalhe: tem que combinar com o estojo, com a necessaire, com o chaveiro, com o tênis, com o elástico de cabelo, com a blusa, a calça e, de preferência, tem que ficar bem também na decoração do quarto! Sua menina já faz parte da sociedade capitalista e já assiste Malhação, Violeta, Liv and Maddie, KC Undercover, Jessie e toda a programação infinitamente igual do Disney Channel. Ah, esqueci de dizer que ‘ela já é uma moça’ tá bom? Não se esqueça disso e JAMAIS compre um estojo combinando pra ela – r.i.d.í.c.u.l.o mãe!

Custou caro a mala da Kipling né? Só que e;a vai durar pouco também … mas fique calma, a nova fase será totalmente diferente. Depois dos 11 ou 12 anos tudo o que sua adolescente quer é ser igual! Então, pelo whatsapp ou pelos outros trocentos aplicativos da rede social juvenil (dos quais você não faz parte porque você é velha e gosta do facebook), ela e as amigas vão combinar com que mochila irão pra escola e vão te dizer exatamente onde comprar, quanto custa e qual deve ser. Detalhe: ela já não precisa ir mais com você porque vai te mandar uma foto pelo celular e se você tiver um mínimo de sabedoria vai conseguir comprar direitinho! A mochila diminui, porque na cabeça delas diminui também a necessidade de carregar cadernos, canetinhas multi-cores, crayons, e livros. Elas estão crescendo rápido demais, mas não há nada a fazer. Apenas deixar que suas bolsas sejam iguais, até que um dia elas percebam que ninguém é igual e, por isso, as bolsa devem mais uma vez, mudar.

Mas agora ela já tem mesada e lá vai ela com as amigas pro ‘mall’ comprar a sua bolsa. Já dá pra levar a maior parte do material escolar na mão (e ele normalmente se resume a um fichário) e a bolsa pode ser menor e mais ‘transada’. Aqui é a fase em que você vai olhar pra bolsa da sua filha (se você realmente deixar ela escolher o que quer) e vai dizer: oi filha, sou sua mãe. A primeira bolsa que, de alguma forma, vai expressar mais o que aquela garota é, no que ela acredita e do que ela gosta. Libere sua mente e tente aceitar. Tarefa nem sempre fácil, mas muito importante para o futuro daquela pessoa tão preciosa pra você.

Daí pra frente você lembra a história, não lembra? Daí pra frente cada um vai seguir um caminho diferente. Tem aquela bolsa que vai ficar pra sempre – para as tradicionais – ou pelo menos até que ela esteja realmente num estado lastimável! Depois ela vai ser trocada por outra, igual! Tem a bolsa prática, que ainda que não seja nada bonita, dá pra todas as ocasiões e economiza o tempo da troca. Tem a bolsa pequena, para as mais comedidas; tem as bolsas super pequenas, tipo carteira, para as super hiper mega master resolvidas e que não precisam carregar nada mais do que o totalmente essencial; e tem a bolsa tamanho XXL para as que, como eu, controladoras, gosta de tudo por perto – até do guarda-chuva. Tem a bolsa de marca, afinal de contas para algumas mulheres é uma delicia poder usufruir do design e da sofisticação criados por cabeças geniais que colocam um logotipo lindo numa bolsa comum e cobram 10 vezes mais caro por isso — quer saber, eu AMOOOO! E tem a bolsa sem marca, porque para outras mulheres – as detalhistas – a marca simplesmente não faz a menor diferença e muito mais vale trocar de bolsa todos os dias, combinando cada cor com um sapato diferente!

No final das contas, o que realmente importa é que nós mulheres realmente amamos nossas bolsas. Sem elas, somos apenas seres caminhando para sei lá aonde, sei lá quando, sei lá porque. Até que a gente percebe … “Ishi esqueci minha bolsa!”.

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This entry was posted on August 26, 2015 by .