
Eu sou uma desnaturada mesmo. Hoje quando abri o blog e percebi que fazia mais de 1 mês que não escrevia, quase caí das pernas. Estranho como o tempo passa rápido e a gente vai vivendo as coisas, passando por elas, sem nem ao menos perceber a velocidade, a intensidade e as vezes a necessidade.
Estamos vivendo a era da velocidade da luz. Num piscar de olhos as coisas aconteceram e já estamos no momento seguinte. As vezes tenho a sensação de que o dia já não tem mais 24 horas. E já reparou que quando você está fazendo algo que gosta, o tempo passa mais e mais rápido? Uma grande injustiça já que as coisas boas deveriam durar no mínimo o dobro. Minha filha costuma reclamar muito porque tem muita lição de casa e não sobra tempo pra fazer nada legal. E eu penso: quisera eu ter 15 anos e ter muita lição de casa. Hoje eu estou tão distante de quando tinha 15 anos, e vou ser sincera, lembro-me pouco dessa época e pelo pouco que me recordo não dava a mínima importância para o tempo. Eu queria que passasse rápido pra eu poder namorar, dirigir, trabalhar, casar. Engraçado como as coisas mudam completamente quando o seu tempo vai passando. Hoje eu tenho provavelmente menos tempo de caminhada do que já caminhei até aqui. E ainda assim tanta coisa que quero fazer.
Eu já dirijo, casei, tive minhas filhas, vários empregos, mudei de casa, de cidade e de país, falo 3 línguas (nenhuma 100%, nem a minha, mas tudo bem) e já estou me preparando para a quarta. Não tenho o dinheiro que achei que teria quando chegasse na minha idade, mas também não sinto mais a necessidade de ter o dinheiro que eu achei que deveria ter quando chegasse aqui. Meus luxos hoje são menores. Talvez porque alimentar esses luxos me custe tempo, e hoje eu percebo que tempo é o que temos (ou não temos) de mais precioso. Me preocupo com menos coisas e dou valor a coisas mais simples, simplesmente porque a simplicidade e a praticidade me dão o conforto de ter que me esforçar menos e gastar menos tempo cuidando de coisas que não me farão melhor.
A palavra prioridade ganhou um sentido novo na minha vida depois que eu fiz 40 anos – já faz tempo também, infelizmente. Parece engraçado, mas é verdade. Os 40 anos mudaram o meu modo de ver a vida e as coisas. Eu sempre fui a rainha da pressa e ‘aqui, agora’ era o meu lema. Hoje sei esperar as coisas acontecerem e entendo que vai acontecer se tiver que acontecer. Tenho pressa de ser feliz, de conquistar o que ainda me resta; mas sem aquela angústia de ter que ter. Adoro quando alguém olha pra mim e diz com toda sinceridade do mundo que eu mudei. Porque pra mim a mudança é imprescindível e porque tenho pouco tempo para mudar o que ainda quero. Já não me apego as coisas. As coisas hoje fazem parte da minha vida quando dá; quando não dá não deu e pronto. E isso não me faz mal; ao contrário me dá uma sensação de liberdade que eu jamais imaginei que teria.
Há algum tempo atrás eu precisava de bolsas Louis Vuitton ‘literalmente’ pra ser feliz. Hoje quando eu descubro um creme que tira as manchas da minha mão, fico tão radiante quanto antes com as bolsas. E assim eu vou descobrindo que, tanto quanto passa o tempo, passam as vontades, mudam as prioridades. A bagagem mais leve parece melhor. Querer menos parece dar menos trabalho e consumir menos tempo. Ainda sonho, claro. Sonhos são importantes. Faço planos. Mas meus sonhos me levam muito mais pra estar com quem eu amo, com quem me faz rir, seja onde for, do que pra marcar países no mapa. Meu maior sonho é ter tempo pra ver minhas filhas crescerem e conquistarem tudo o que elas desejam. Tempo.
Aprendi que a ordem com que você coloca suas prioridades no ‘pote da sua vida’ muda completamente o que vai caber dentro dela. E no meio desses aprendizados me deparei com a parábola do pote. Incrível e verdadeira. Uma lição de vida que precisamos aprender o mais rápido possível. Enquanto ainda temos tempo de mudar a ordem do que colocamos dentro no nosso ‘pote’.
A PARÁBOLA DO POTE
Um sábio mestre agarrou num pote de barro e chamou o seu discípulo. Colocou algumas pedras muito grandes dentro do pote e perguntou-lhe: “O pote está cheio? E o discípulo respondeu: “Sim”!
O mestre agarrou num saco cheio de pedrinhas pequenas e as despejou dentro do pote, e tornou a perguntar ao seu discípulo: “E agora, o pote está cheio?” E ele respondeu: “Sim, mestre. Desta vez o pote está totalmente cheio”.
O sábio, então, agarrou numa lata de areia e a derramou dentro do pote. A areia preencheu os espaços entre as pedras grandes e as pedrinhas pequenas. Num impulso, o discípulo se adiantou: “Pronto! Agora acabou, mestre. Não é possível colocar mais nada dentro desse pote”.
O mestre respondeu-lhe com um sorriso e virou uma jarra d’água dentro do pote, que, encharcando a areia, desapareceu.
Depois disso, o sábio agarrou noutro pote de barro e pediu que o discípulo repetisse a experiência, mas na ordem inversa. No momento de colocar as pedras grandes, estas não couberam no vaso, pois parte dele já havia sido preenchida por coisas menores.
Diante disso, o mestre concluiu a lição: “O pote de barro é a nossa vida; a nossa disponibilidade de tempo é o que cabia no pote. As pedras grandes são as coisas realmente importantes da vida: o seu crescimento pessoal e espiritual e seu relacionamento com a família e amigos. Se você der prioridade a isso e se mantiver aberto para o novo, o restante se ajustará por si: os seus afazeres diários, bens e direitos materiais, lazer e todas as restantes atividades menores que completam a vida. No entanto, se você preencher sua vida com coisas pequenas, as coisas realmente importantes nunca terão espaço suficiente”.