
Já reparou como a gente é complicada? Sim, complicada no feminino porque embora eu também ache que tem muito homem por aí muito mais complicado que a mulherada, hoje vou falar do sexo feminino, nada frágil e em constante paranóia.
Nós mulheres somos capazes de amare odiar loucamente e na mesma intensidade, a mesma pessoa, num mesmo dia. Somos capazes de acordar pela manhã querendo desaparecer e chutar todos os seres viventes à nossa volta e acabar a noite vestidas ‘para matar’, calçando um salto 15, se achando o último pedacinho de torresminho do buffet de feijoada e rindo a beça com as melhores amigas num restaurante ‘carésimo’ ou num boteco de esquina, tanto faz … mas com a alma leve e a maquiagem mais pesada do universo!
Somos capazes de viver intensa alegria, excruciante dor, extrema bondade, inimaginável altruísmo, alto controle emocional e voraz loucura tudo num mesmo dia, em poucas horas ou até mesmo em momentos infinitamente menores que ‘poucas horas’. Nossos hormônios são a mais potente máquina de mudança de humor que qualquer ser humano pode presenciar. E não é nossa culpa! Eu tenho pra mim que fomos feitas pra ser assim. É destino, predestinação, acaso, sina, fadário, dita, sorte, quinhão, casualidade, fortuna. Não importa o nome, só é!
Não há um só dia em que eu não acorde uma pessoa e vá dormir uma outra, completamente diferente, sem nem ao menos me lembrar daquela que amanheceu em meu interior e ‘mais íntimo ser’. Nunca sofri de bipolaridade, e acredito que você também não. Mas é assim. Somos controladas por uma tênue linha que divide o mundo em dois: aquele que a gente ama e aquele que a gente odeia. Simples.
Nosso mundo é determinado por nossas ações de resposta, e respondemos não somente com palavras, mas com a intensidade de nosso corpo, de nossa alma, com nosso ser! Nossa resposta vai além daquilo que podemos dizer; nossa resposta se faz ouvir, ver e sentir. E sem isso, nossa capacidade inerente de lidar com as coisas, com as pessoas e com o mundo ao nosso redor, simplesmente desaparece.
Você não pergunta a uma mulher ‘Oi, tudo bem?’ esperando que ela te responda ‘Sim’ e pronto. Nunca! E se alguém espera isso de nós, mulheres, eu diria que esse alguém está, no mínimo, completamente apático ao movimento revolucionário que temos desencadeado desde a década de 1790, ali juntinho com a Revolução Francesa e com o Iluminismo.
Por anos a fio buscamos a igualdade jurídica, a igualdade política, a igualdade econômica e o respeito por nossa atuação no mundo, qualquer que seja ela. E ainda lutamos por isso! Mas esquecemo-nos de um detalhe extremamente importante – nós mulheres somos sim diferentes deles; os racionais, os pouco interessados, os objetivos, os amantes das coisas simples, os maravilhosos, mas pouco impressionados, homens. A mulher jamais se esquece de mencionar detalhes numa resposta, e sem fazer muita cerimônia responde com uma quantidade absurda de detalhes a um simples ‘Oi, tudo bem’ porque … é preciso! Precisamos expressar, deixar fluir, liberar, desapegar, acalmar a alma, renovar o riso, viver intensamente os 1,440 minutos a que temos direito em cada um dos dias de nossa vida.
É por isso que temos bolsas tão grandes, muitos sapatos, várias camisetas básicas pretas e brancas, brincos pequenos e grandes, relógios de marcas, cores, formatos e ponteiros diferentes e muitas, muitas botas! Porque somos muitas mulheres em uma num mesmo dia e porque sem essa simples característica, não conseguiríamos ‘ser’.
Nós vivemos quatro estações em apenas uma semana; somos o verão que nos impulsiona a viver intensamente, a exercitar-nos e a correr atrás dos nossos sonhos e a iluminar tudo a nossa volta com nossa alegria e beleza; somos o outono que nos lembra que o desapego é necessário e que as vezes deixar as folhas caírem não significa perder, mas sim dar espaço a folhas novas; somos o inverno que nos mantém sérias, seguras e protegidas e (raramente, mas acontece) com a boca fechada pra evitar problemas maiores; e somos também a primavera que aparece como que num passe de mágica, depois de longos períodos de frio intenso e pouco movimento, mas que enche, de novo, tudo de alegria, sorrindo, beijando, amando, perdoando e buscando a cada nova semana, um novo começo, sempre!
Uma homenagem a todas as minhas amigas, inclusive aquelas que não aparecem nessas fotos, mulheres maravilhosas, guerreiras, super fantásticas, camaleões, companheiras, bruxas, aventureiras …. e amantes de uma boa ‘champa’.