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Num Rolê Qualquer

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Sempre fui muito preguiçosa pra fazer qualquer e todo tipo de ginástica. Os esportes com bola me deixam nervosa porque a bola nunca se dá comigo; impressionante a capacidade que ela tem de se jogar na minha cara, seja qual bola for! Academia é para os fortes – aquela música naquela batida alta me deixa inquieta e aquele monte de gente coordenada só me deixa lembrar o quanto eu sou disléxica e perdida. Dança eu amo, mas já não combino muito com o estilo de dança que querem me impor; e francamente, depois dos 45 não me deixo ser imposta por quase nada. E devido a eterna dor no joelho, a corrida, ou mesmo a caminhada, ficaram esquecidas no tempo. Enfim, no quesito exercitar-se eu e o exercício fizemos um pacto: eu fico longe dele, ele não me incomoda.

Mas chega um tempo em que o corpo e a mente precisam agitar, afinal o que não usa atrofia e o que usa fortalece, já dizia Lamarck. E quando esse tempo chega, você simplesmente tem que ouvir.

Há 6 meses eu me lancei um desafio. Vi várias amigas começando a andar de road bike, aquelas com guidão estranho e com um banquinho que mais parece um objeto de tortura, e pensei: porquê não? E lá fui eu. Comprei bike, bolsinha, garrafinha, câmara extra, faixa de cabeça, computador de bordo, jerseys – as famosas camisetas de ziper, comprei shorts – todos pretos porquê combina com tudo, comprei meinha, meia e meião, luva, capacete, sapatilha, barrinha de cereal, gelzinho, outra bolsinha pra guardar tudo isso, outra bike, outra sapatilha, outro capacete, mais jerseys … e um armário novo pra guardar tudo. Mais do que pronta, eu estava equipada, e tinha do meu lado um marido maravilhoso me incentivando em tudo! Ele até decidiu começar no esporte e me ajudar a não desistir! Sim, ele me passou a perna depois, mas quem sabe um dia eu alcanço ele e passo dizendo ‘deixa que eu te puxo’!

Ali começava meu novo hobby. O que eu não sabia é que ali começaria também um capítulo totalmente novo na minha vida.

O exercício é ótimo, claro, mas o esporte vai além, muito além do que apenas o exercício. Subir numa bike de sapatilha pela primeira vez é amedrontador. Eu realmente me senti como se estivesse montando um touro daqueles bravos e valentes. Ao mesmo tempo que te dá uma sensação de conexão maior com a bike, te dá aquele desespero de ‘estar presa’ e aquela única certeza de que ‘no, honey, no, isso não pode dar certo’. A primeira coisa que passa na sua cabeça é sem duvida: o que eu estou fazendo aqui? Mais dura, sem brincadeira, uma semana. Caí, claro, exatamente como o previsto: mais de uma vez. Caí tentando parar, tentando andar, tentando levantar e até quando eu tentava não cair, eu caía. Mas o tempo e a prática são as melhores respostas. Sempre. E nesse caso não foi diferente. Depois de um tempo tudo entra nos eixos. E tudo começa a fazer sentido.

Subir na bike, hoje, é um exercício diferente. É um exercício de paz comigo mesma, com meu corpo e com minha mente. E cada dia mais as pequenas voltas de bike vão se transformando em pequenas aventuras, em viagens, em passeios, em corridas, em desafios que me levam a forçar meus limites e a exigir cada vez mais de mim. Cada dia é uma transformação maior e melhor. O medo ficou longe e, quase sempre, as dores também. Tenho me alimentado melhor, dormido melhor e sido melhor. Estou mais calma e, sempre que o “Malzheimer” deixa, mais focada e menos esquecida. Fiz muitas amizades novas e trouxe algumas velhas pro mesmo caminho. Amo minha bike, o vento no rosto – sim a sinusite tem feito visitas constantes, mas quem liga? Amo a busca de novas trilhas, o desafio do Strava – a rede social dos esportistas que correm, nadam e pedalam. Amo os bate-papos antes e depois de pegar no pedal, a troca de experiências, a troca de dicas, o mercado negro no whatsapp de tudo o que é coisa de bike, pra bike e pela bike, os pontos de encontro e as chegadas!!! Ah, como eu amo as chegadas!

Chegar significa que cumpri meu dever com minha saúde. Mas chegar também significa que amanhã eu serei melhor do que hoje, porque é o tempo em cima da bike que vai te fazer melhorar mais e mais. Aprendi isso com uma nova amiga, a Lu Abreu, super fera na bike e uma incentivadora profissional a quem devo muito. E assim como com a Lu, com o pedalar vieram outras amizades incríveis. Pessoas fantásticas que, como eu, se esforçam cada dia mais pra chegar aos limites e superar tabus. Amigos que estarão sempre ali para aquela champa depois do treino, certo Dorada, ou para aquele suco de gengibre com tumeri e brócolis, não é mesmo Ju Santos? Pessoas diferentes que se uniram para buscar um ideal de saúde e de vida, e que pedalam incessantemente em busca de mais mph e menos ‘mimimi’, certo Ana Luiza, Claudia, Jana e Pôla. Tem ainda aquelas que como eu, fazem charminho pra sair, pensam 345 vezes, mas estão sempre lá, em busca de um desafio. Essas, desse último grupo, são muitas e esse número cresce a cada dia. Tem a Dorada, minha amiga Dani Galvão, tem a Deia, a Erika, a Paula Frego, a Renatinha e a Re Rangel, mas tem mais vindo por aí, subindo de categoria, sempre. Tem as que estão começando agora e que vão ainda cair muito, como eu e como todo mundo já caiu, mas que já possuem aquela sementinha plantada dentro de sí e que jamais desistirão: a minha irmã Zoca, a Ali e a Ju Jardini. E tem as mulheres-maravilhas do pedal. Pra nós, mitos. As divindades Ju Santos, Marce e as Clers. Acho que formamos uma grande família – se não por laços de sangue, pela união de forças, pela busca dos desafios, pela vontade de melhorar sempre, pelas festinhas com vinho, pelo amor às bikes, pelos salvamentos de tartarugas e pela vontade absoluta de ‘não parecer um duende com seu capacete’. E por todas as vezes e vezes em que nos revezamos pra ‘puxar contra o vento’, ou pelas ajudas com os muitos pneus furados, arranhões, tombos, caminhos errados e, sem dúvida alguma, pelas gargalhadas que demos e ainda vamos dar juntas, por aí, num rolê qualquer!

Sou grata a esse esporte por tanta coisa que ele me deu!

Sou grata a todas as pessoas maravilhosas que estão ao meu lado nele!

E deixo aqui meu testemunho mais do que sincero e meu grande agradecimento àqueles que me incentivam todos os dias a ser maior e melhor!

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This entry was posted on December 4, 2017 by .