
Na semana passada comemoramos o dia de Thanksgiving aqui nos Estados Unidos. Conhecido como o dia de ‘Ação de Graças’ em português, a comemoração oficial aqui em US começou em 1620, após uma colheita muito boa que permitiu aos colonos de Massachusetts oferecem um delicioso banquete aos outros colonos e, conta a lenda, a vários índios da região. Abraham Lincoln declarou o ‘feriado nacional’ apenas em 1863, mas ele acabou se tornando o dia mais importante na cultura americana – sim, mais importante que o Natal, Ano Novo, aniversário, etc … Hoje é celebrado como o dia de agradecer a Deus, a família e aos amigos por todas as bênçãos recebidas no ano. Os americanos juntam a família e amigos ao redor de uma mesa farta e, unidos, comemoram tudo o que de bom já veio e o que há por vir.
O simbolismo dessa data é enorme e me fez pensar muito. Raramente agradecemos o que temos ou mesmo as lições que aprendemos com tudo aquilo que não conseguimos conquistar, não é verdade? Na era da tecnologia e do ‘fast tudo’, somos maquininhas de rodagem e assim vamos vivendo os dias, meses e anos, passando por tudo e todos com pouco tempo e muita pressa. As coisas acontecem sem a gente perceber e, muitas vezes, quando nos damos conta, nem dá tempo de ‘reconhecer’ direito o acontecido. Veja esse blog, por exemplo, que ficou p-a-r-a-d-o há quase 1 ano! Sim, meu último (e leindoooo) texto foi escrito por essa que vos fala há 360 dias atrás – um absurdo, não é mesmo? E tudo por conta do ‘tempo que não tive’. Mas será mesmo que não tive? Será mesmo que as horas, os dias, os meses passam tão rápido que não nos sobra tempo pra fazer tudo o que queremos, ou será que estamos colocando ‘laranjas’ demais na nossa cesta e deixando a vida pesada demais pra ser ‘carregada’? Vamos pensar juntos.
Eu começo me fazendo a seguinte pergunta. Eu sei exatamente quais são as minhas prioridades cada manhã quando acordo? E me deparo com a inevitável (leveza do ser? não … quisera eu!) resposta: não! Cheguei a um ponto que não sei mais o que é prioridade no dia-a-dia – e reclamo constantemente disso. Sim, eu sei minhas prioridades na vida e digo rapidamente: minha saúde, minha família, meus amigos, meus pets e, no momento, minha advogada de imigração (risos, brincadeirinha) … Mas será que eu sigo essa lista de prioridades no dia a dia, nas 24 horas que tenho ao longo de 365 dias de cada ano? Claro que não. Lógico que não. Imagina! NUNCA!!! Se assim fosse eu não estaria a mais de 3 anos enrolando pra ir a um médico, eu jamais daria uma desculpa esfarrapada pra não fazer meu exercício diário ou pra não ir com minhas filhas ao cinema, ou pra não viajar sozinha com meu maridão e curtir uma nova lua de mel tão merecida, ou pra não ir ao aniversário da amiga ou pra não fazer uma ligação pro meu irmão, meus sobrinhos e minha mãe, que moram no Brasil. Se eu seguisse minha lista de prioridades, tão ideologicamente bem montada, eu deixaria de me preocupar com as roupas que podem ser lavadas depois, pra sentar no meu ‘backyard’ numa tarde linda só pra ler um livro. Eu jamais colocaria nada na frente de uma viagem com minha família, eu nem de perto trocaria uma manhã na minha bike por uma hora a mais na cama. E aí eu digo: Opa, pára tudo e vamos começar de novo! Certo? Certo … mas o recomeçar também requer comprometimento e disciplina. Porque viver a vida correndo feito louca, apagando incêndios a medida que eles surgem, esquecendo de parar pra ver um por do sol, vicia! E quando você não está fazendo assim, sua mente te convence de que você está errada! Portanto, recomeçar requer um REBUT total da máquina, por dentro e por fora.
Precisamos viver! Respirar com calma, como se estivéssemos subindo uma baita montanha a pé e soubéssemos que lá em cima, o ar que você desperdiçar lá embaixo, vai fazer falta. É preciso parar antes de cada passo e, ao continuar a caminhada, saber exatamente o porque daquele caminho escolhido. Precisamos, como já dizia o ditado, ‘dar tempo ao tempo’. Esperar as coisas acontecerem no momento certo e aceitar que nem sempre o momento certo é ‘agora’. Precisamos dar valor a cada minuto de cada dia e fazer dele um minuto único. Precisamos dar valor a cada atividade e fazer dela uma coisa única. Precisamos dar valor a cada pessoa na nossa vida e transformar cada relacionamento em um amor único. Agradecer a uma força maior que nos mantém vivos, chamar os amigos para um encontro, dar festas, ir a festas, dançar sem medo de ser julgado, cantar sem medo de ser ouvido, viver sem medo de morrer.
Fazer uma lista no início de cada dia ajuda, mas não fique escravo da sua lista … afinal as surpresas também são tão boas. A lista ajuda pra você não se perder e esquecer do que era realmente importante. Mas as surpresas renovam a alma e enriquecem a experiência da vida. Elas devem ser comemoradas da mesma forma que cada novo minuto deve ser agradecido. E se conseguirmos balancear tudo isso, as prioridades, os agradecimentos e as celebrações, seremos plenos. Porque teremos conseguido unir o que queremos, a nossa diversão, com o que precisamos, o nosso trabalho, e seremos capazes de identificar as novas buscas que devemos colocar em nosso novo dia, as batalhas que devemos lutar, as vitórias que devem ser comemoradas e os agradecimentos que devem ser feitos.
Um pouco atrasada, mas na melhor das intenções, desejo a você que seu Thanksgiving tenha lhe proporcionado um pouco de tudo isso … e que você, assim como eu, consiga rever o calendário, mudar appointments, antecipar compromissos e aceitar o desafio de seguir as suas prioridades em todos os dias da sua vida.