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Se precisar, saia de cena

Tão complicada a vida e a gente, às vezes, ainda complica ela mais ainda. Porquê? Porque a gente se apega de tal forma às coisas e pessoas, que fica difícil deixar o palco quando é preciso. É exatamente isso, sair de cena é uma das coisas mais complicadas da vida. Entender que você já terminou seu papel ali e que, de agora em diante, ali, não é mais com você. Aquela responsabilidade não é mais sua.

De uma certa forma é como se sair de cena significasse parar de viver, encerrar aquilo que pra você sempre foi significado de caminho, trajetória, percurso. O seu dever no mundo, seu ‘motivo’ de estar aqui, seu papel. Mas a grande verdade é que lá no fundo a gente sabe que isso é uma desculpa que nosso inconsciente cria para que a despedida não seja tão fácil. A verdade é que sair de cena significa tão somente que aquele papel acabou, que aquele personagem finalizou seu curso, mas nós, os atores que durante tanto tempo se dedicaram àquele propósito, temos somente que deixar ir, devemos nos desapegar e partir rumo ao próximo personagem, ao que a vida nos reserva no nosso próximo capítulo.

A difícil arte de ‘desapegar’. E concordo que em níveis diferentes de desapego, sofremos também diferentemente para sair de cena. Deixar ir um grande amor que já não mais se sustenta, acabar um casamento de anos, dizer adeus a quem se foi pra sempre, deixar os filhos crescerem e viverem por si só – já passei por esse uma vez e em breve passarei de novo né Mari e sim, vai te choradeira e a psicóloga que se vire. Esses são desapegos não só de corpo, mas de alma e aí é que a coisa fica feia. O desapego de alma é um dos maiores desafios que enfrentamos como humanos. Seja porque nossa razão diz que ainda não era tempo de desapegar, seja porque nosso coração ainda sente o mesmo amor, seja porque nossa alma, de alguma maneira, não sente pronta para enfrentar aquela distância e tudo o que vem com ela – já não mais poderemos viver o dia a dia como era antes, ter as mesmas expectativas, sonhar os mesmos sonhos.

A dificuldade do desapego é provavelmente uma das maiores causas da existência dos terapeutas nos dias de hoje. E o desapego não é um tema simples nessa área também não. Tem o desapego do passado, que eles dizem nos trazer depressão, e o desapego do futuro, que cria ansiedade. Tem o desapego de coisas materiais para que não nos transformemos em ‘monstros apáticos e capitalistas’ incapazes de amar e de se apegar emocionalmente a pessoas que nos amam, e tem o desapego emocional que nos faz desobjetivar a razão, perder o amor próprio e viver constantemente em busca dos sonhos de outras pessoas, tornando-as ‘muletas do nosso viver’.

É! Tá pensando que é fácil? Pois não é, eu disse. A gente vive tentando balancear todas essas coisas e o equilibrio, tão esperado, só pode ser alcançado quando você entende desapegar é uma das coisas mais difíceis que você terá que aprender na vida.

Uma dica. A primeira coisa necessária para saber lidar com o desapego, é aprender que o presente é a única coisa que realmente importa na nossa vida. Quem está, está. Quem fica, é pra ficar. Quem vai, tinha que ir. E desapegando, você cria lugar pro novo, pra tudo aquilo que você jamais imaginou viver, ter ou apreciar. Você abre as portas do universo e diz ‘vem que eu to pronta pro próximo capítulo’. E isso é maravilhoso. Não só porque te traz coisas boas, novas, inesperadas, mas principalmente porque te livra de pesos que não eram seus pra serem carregados; te distancia dos fardos e te aproxima das recompensas. E assim, só assim, você vai acordar todos os dias, de sol ou chuvosos, e vai ter a certeza de que naquele dia tudo vai acontecer como tem que acontecer. Pode chamar de destino, de força do universo, de positividade que atrai. Chame do que quiser. Eu chamo de presente e foi só quando entendi que o desapego não tem que ser uma dor, ele só tem que ser e pronto, que eu comecei a entender os presentes que a vida tem pra mim.

Desapegue. E seja feliz no seu presente!

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This entry was posted on February 20, 2024 by .