Todo mundo diz que na vida você precisa ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Hoje eu estava pensando nisso e confesso que me deu um frio imenso na barriga (tanto que aparentemente estou preocupada até agora — 1:10 da madruga e eu ainda estou aqui … isso é ficar aterrorizada, não preocupada!). Já tive duas filhas, lindas, adoradas e que até hoje só me deram mais motivos para continuar a caminhada. Nunca plantei uma árvore, mas já plantei várias coisas menores! Se isso contar acho que dá pra dizer que meus deveres enquanto salvadora da vida verde estão em dia. E já escrevi um livro. Pouca (bem pouca, aliás) gente leu, mas na listinha de vida intimidadora que aqui citei, não havia especificação de número de leitores, nem mesmo de sucesso de vendagem, então tá valendo!
É engraçado como tudo passa rápido. Já se foram 46 anos e eu me lembro como se fosse ontem de quando alguém de 46 anos pra mim era super mega master blaster velho! Eu já alcancei as metas de filiação, vida ecologicamente correta e imersão editorial, mas confesso que nem de longe (muito longe) estou preparada para assumir outro plano. Tenho tido longas conversas com Deus ultimamente e pedido extensão máxima do contrato, mas a idade está chegando e ainda que a alma seja de 30, os 50 estão galopando em minha direção numa velocidade surreal!
Ficar velha depende mais da alma do que do corpo. Isso todos dizem. Eu só queria lembrar que com 50, ainda que a alma esteja numa balada tomando piña colada adoidado e dançando feito louca a noite inteira, ela esqueceu de levar o corpitcho junto. E esse último está cansado, com dores no joelho, não pode comer quase nada que lhe faz mal, já esgotou o estoque particular de Nelsaldina e Dorflex e, pra piorar, tem travado uma luta infiel contra a gravidade dia após dia. A alma está bem, obrigada. Mas tem horas que ela se vê solitária e perdida. E, pior, ela se vê relembrando tudo o que já foi vivido ali e a saudade chega rápido. Sei que viver 46 anos é uma dádiva. Viver 46 anos com saúde e ter conquistado tudo o que conquistei, praticamente não tem nome. Mas quando você sabe que o reloginho está correndo e que ficar, literalmente, de alma e corpo, velha é uma realidade que tem se aproximado mais e mais de você, não há pensamento positivo que salve a angustia e o medo das rugas, da cabeleira branca, da artrite, da artrose, da miopia crônica (que abre aspas “quando é aceita só faz piorar a cada minuto” fecha aspas) e da velhice!
Se pudesse obviamente eu escolheria os 30 de volta, mas quer saber? Dificilmente eu mudaria algo! Porque chegar até aqui deu trabalho, custou um bom tempo, me sugou horas e horas de terapia; Mas me fez quem sou hoje e, cá entre nós, eu me amo aos 46! Porque sou mais experiente? Porque sou mais sábia? Porque sou mais resolvida? Não!
Simplesmente porque (como diria meu pai de ainda estivesse nesse mundo com a gente) a única opção aos 45, 47, 48 … 60 … 70 … não é nada atraente e nem de longe está em meus planos imediatos! Morrer? Eu? Agora? Pra que? Eu quero (e vou sim) envelhecer. Mas com a graça de um patinho feio se transformando em Cisne. Com a paciência e genialidade de um vinho em um tonel e com a sabedoria dos anos que me ensinaram que a vida passa, mas se for bem vivida nunca passará em vão.
E que venham os 47 … 50 … 60 !!!
14 de Março, homenagem ao meu amigo Kadão. Uma criança completando hoje seus 50 anos de vida, muito bem vivida!
Divirta-se: http://youtu.be/JKKlqMs19tU
Nossa Cris…
Você me fez chorar … Pensando em tudo isso que disse e aniversariando junto com a pessoa que mais amo nesse mundo só posso dizer que você tirou nas últimas linhas de seu texto a essência de tudo que eu penso que ele é… Impressiona a sua sabedoria em escrever e eu quero ler seu livro.
Beijos carinhosos nessa minha linda amiga…
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Muito bom é isso mesmo.
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Amiga, vc é muito sábia e querida!! Quero ter sempre notícias dessa mulher forte, verdadeira é incrível que é!!!
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