Quando me mudei para a Florida, há quase dois anos, eu tinha uma pequena, vaga, mínima, ínfima idéia do que seria, mas como meu nome do meio é Aventura, era a hora — #partiu! E lá viemos eu, filha, outra filha, marido, cachorro, gato, outro gato, 15 malas, mãe-turista, e um sonho. Viver num outro país, finalmente falar inglês fluente e experimentar uma nova cultura.
Os primeiros dias, ainda naquela organization básica, e na fase do compra móveis, compra batedeira, compra panela, compra prato, faca, garfo, copo, enfeite, tapete, carro e, importantíssimo, uma guirlanda pra colocar na porta de entrada (porque sem uma guirlanda para cada estação do ano, aqui, você não vai ‘fazer parte’ ok?). Tudo era festa, alegria, lindo, cheio de vida, de potencial. Faltava aguardar o tempo passar e ver no que ia dar. Muita gente dizia que o começo era difícil, depois melhorava. Outros, que com o tempo eu ficar ‘homesick’ e não ia mais aguentar ficar aqui. Mas eu sabia que a minha experiência é que contava, e esperei por ela.
Hoje, dois anos depois … tudo continua igualzinho! Eu não mudaria N-A-D-A! Não me arrependo de 0,1% da mudança repentina, das escolhas que fiz e nem do que passou. Muita coisa mudou? Sim. Muito do que me falaram que ia acontecer, aconteceu? Sim. A vida é diferente? SIM! Mas dentro da minha expectativa, tudo se encaixou.
Aqui não tenho empregada que cozinhe pra mim, que lave, passe, dobre e guarde, que tire as folhas do quintal, que arrume minha cama todas as manhãs, que fique com as crianças pra eu poder pegar um cineminha com o husband, que arrume meus armários e que me dê a listinha de compra pronta. Mordomia ZERO! Era uma vez a vida de Cinderela!
Hoje sou a Gata Borralheira. Da cozinha pra faxina, da faxina pra roupa de lavar, depois cuidar do jardim, fazer compras, esquecer metade e voltar as compras! Os aspiradores de pó são os meus amigos mais fiéis e quando um deles pifa (SiM eu tenho 3 e um deles limpa sozinho todos os dias na hora marcada!!!), perco o chão (pelo menos o limpo, literalmente). Lição com as crianças, troca lâmpada, arruma a internet, coloca os panos de cozinha no cloro, tira os lençóis pra lavar, lava, seca, pōe de volta. Tudo e mais um pouco, e ainda equilibrando os trabalhos da faculdade e os das crianças. Organiza a agenda de lazer, paga as contas, leva comida na escola pras meninas, volta pro Publix (o mercado, praticamente o nosso ‘Pão de Açucar’), começa a comida de novo e … UFA … Acabou o dia e com ele a chance remota que eu achei que teria de tomar um sol, caminhar, ‘bikear’, jogar um tênis (esse só se for na cabeça de alguém), bater papo ‘caz’amiga’. Eu, acabada! Só o pó!
Mas cá entre nós .. F E L I Z D A V I D A ! Gata Borralheira completely loaded! Como alguém, em são estado mental e físico, pode querer ser Gata Borralheira ao invés de Cinderela? Se eu ainda me lembro … é simplesmente porque me fez um bem danado e tenho visto um lado da vida que nunca entendia nos filmes americanos, quando via a ‘mãe’ subir e descer as escadas da casa com aquela cestinha branca de roupa (eu tenho uma igual!) suja, depois lavada e depois dobrada.
Viver segura, sabendo que seus filhos estão bem, ter amigos pra compartilhar as alegrias e dividir as tristezas, sair caminhar na rua e ser cumprimentada com um sorriso e um ‘GOOD MORNING calm and passionate’. Tudo isso superou minhas expectativas e hoje só tenho a agradecer a Deus por não ter tirado essa idéia da minha cabeça!
Eu A-M-O ser a Gata Borralheira da minha casa. Ter o controle do meu quadrado, dobrar as roupinhas das crianças e lembrar de cada segundo que passei com elas enquanto as sujavam, fazer uma comidinha simples e ouvir todo mundo dizer ‘que delicia mamãe’ , lavar minha roupa de cama com carinho colocando energias boas nela e depois arrumar a cama com amor e satisfação, regar as plantas da varanda, varrer a calçada e bater um papo descontraído com os vizinhos que fui conquistando no dia-a-dia, cumprimentar meu carteiro pelo nome! E zelar para que a cada dia minha família esteja vivendo melhor. E mais feliz.
Não há nada de errado em ser a Gata Borralheira. Nenhuma vergonha em dizer bem alto ‘EU AMO TER CONTROLE SOB MINHA CASA E SOB MEU DIA A DIA’. Adoro colocar uma música bem alta, ligar meus aspiradores e deixar a casa limpa e cheirosa pra aqueles que eu amo! Claro que a tecnologia daqui ajuda, e muito. Além dos meus queridos amigos ‘vacuums’ eu tenho duas poderosíssimas máquinas de lavar roupa e secar, uma suuuper silenciosa máquina de lavar louça, uma panela de arroz elétrica que, acreditem, deixa meu arroz ‘Jasmine’ igualzinho o Prato Fino, steamer, e tanta coisa mais. Mas sem mim, nada aconteceria. Porque aqui realmente an Cinderela só existe no filme do Walt Disney (que ‘by the way’ é maravilhoso e eu assisti a pré-estréia aqui antes de todo mundo aí! Ha!).
Brincadeiras a parte, já aviso que a Cinderela pode me esquecer por um bom tempo, porque não tenho saudade dela e, sinceramente, o que são os desafios dela perto dos meus? Vida sem gracinha. Sem movimento. Sem emoção. Sem tensão. Sem tesão!!! Não preciso das jóias, nem da carruagem e muito menos do sapatinho de cristal. As vezes preciso mesmo é de algum relaxante muscular, principalmente depois das aspiraçōes. Mas tudo bem! Tá valendo! Afinal a Gata Borralheira pode não ter o sapatinho de cristal, mas cá entre nós eu prefiro mesmo um tênis! Fala verdade, um sapato de vidro que não machuca? Ahhhh vá! Conta outra Cinderela!
Amiga, adoro seus textos , cada vez que os leio sinto como se você estivesse na minha frente contando mais uma de suas histórias hilárias. Você é sensacional .
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